

Em 2026, a maioria dos municípios portugueses vai manter ou reduzir as taxas do IMI, mantendo-se dentro dos limites legais (0,30% a 0,45% para prédios urbanos). Mais de metade das autarquias aplicará a taxa mínima de 0,30%, e apenas uma minoria anunciou aumentos.
A garantia pública habitação jovem continua ativa. O Governo reafirmou esta semana a manutenção do mecanismo que permite aos jovens até 35 anos financiar 100% da compra da primeira casa. A decisão surge apesar dos alertas de entidades nacionais e internacionais sobre um possível impacto nos preços das casas. Ainda assim, o Executivo insiste: o problema do mercado não é o crédito. É a falta de casas.
Este artigo explica como funciona a garantia pública habitação jovem, apresenta os argumentos do Governo e reúne os dados mais recentes do Banco de Portugal e do FMI sobre os riscos do mecanismo.
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Antes de entrar no debate, vale a pena perceber o mecanismo. O Governo criou a garantia pública pelo Decreto-Lei n.º 44/2024 e pela Portaria n.º 236-A/2024/1. Através dela, o Estado atua como fiador de até 15% do capital em dívida num crédito habitação. Na prática, um jovem consegue financiar 100% do valor de avaliação da casa. A generalidade dos clientes bancários só financia até 90%. Por isso, a garantia elimina a necessidade de reunir uma entrada inicial.
Exemplo prático: imagine um casal com 29 e 31 anos que encontra um apartamento avaliado em 220.000€. Sem a garantia pública, precisaria de poupar cerca de 22.000€ (10%) para a entrada, além dos custos de escritura. Com a garantia, e cumprindo os requisitos de acesso — idade até 35 anos, primeira habitação própria e permanente, valor do imóvel até 450.000€, e ausência de dívidas às Finanças ou à Segurança Social — o casal avança para a compra sem essa poupança prévia. O Estado garante ao banco até 15% do capital emprestado, apenas em caso de incumprimento.
Além disso, esta medida acumula com a isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens até 35 anos. Assim, os custos iniciais da compra descem ainda mais.
O Governo reafirmou a manutenção da garantia pública habitação jovem. Contudo, várias entidades alertam para um possível impacto nos preços das casas. Ainda assim, o Executivo mantém a mesma convicção: o principal problema do mercado imobiliário português é a escassez de oferta, não o acesso ao crédito.
O Ministério das Infraestruturas e Habitação defende ainda outro ponto central: a garantia estatal não substitui a avaliação de risco das instituições bancárias. Cada banco continua a analisar cada candidato antes de conceder o financiamento. Por essa razão, o Governo considera injusto atribuir à medida a responsabilidade pela subida dos preços.
A posição do Executivo assenta, portanto, num argumento técnico simples: os bancos mantêm os seus próprios critérios de risco, com ou sem garantia pública associada. Esta lógica sustenta o principal argumento do Governo para afastar a ideia de que o mecanismo estaria a inflacionar artificialmente o valor dos imóveis.
Para o Governo, a insuficiência de habitações disponíveis é o principal fator da valorização do setor imobiliário. Entre as causas estruturais apontadas, contam-se:
Os dados mais recentes do Banco de Portugal, compilados pelo idealista/news, confirmam o peso crescente da medida. Em 2025, os jovens até 35 anos celebraram 59.832 contratos de compra de casa. Destes, 25.519 recorreram à garantia pública. Ou seja: o mecanismo já representa cerca de 43% dos novos contratos de crédito habitação deste grupo etário, e perto de 45% do montante total emprestado.
Face à forte procura, o Governo anunciou um reforço de 750 milhões de euros na dotação da medida. O envelope total sobe, assim, para 2.300 milhões de euros — menos de dois anos depois de a medida entrar em vigor.
Nem todas as vozes concordam com a leitura do Governo. O Fundo Monetário Internacional e o Banco de Portugal continuam a manifestar reservas. Ambas as instituições alertam para os riscos deste mecanismo: pode aumentar a procura por habitação, num contexto em que a oferta já é escassa.
O relatório do Banco de Portugal, citado pelo ECO, é esclarecedor quanto ao perfil de risco. A proporção de novos créditos à habitação concedidos a mutuários de risco elevado subiu de 3%, em 2024, para 21%, em 2025. No entanto, essa subida quase desaparece — mantém-se nos 3% — se excluirmos os contratos com garantia do Estado. Em simultâneo, a taxa de esforço dos jovens até 35 anos subiu de 28,7% para 29,9% do rendimento líquido. Este dado contraria a tendência de alívio que os restantes mutuários sentiram com a descida das taxas de juro.
Estes indicadores reforçam, assim, a preocupação do regulador financeiro. A sustentabilidade financeira das famílias que recorrem a este crédito pode ficar em risco, sobretudo se as taxas de juro subirem ou se as condições económicas piorarem.
Apesar destas preocupações, o Governo mantém a mesma posição: a garantia pública tem critérios de segurança bem definidos. Além disso, deve funcionar como complemento a outras políticas de aumento da oferta habitacional, não como solução isolada. O objetivo declarado continua o mesmo: facilitar o acesso ao crédito e à compra da primeira casa, sem comprometer a estabilidade financeira das famílias nem a solidez do sistema bancário.
Para quem procura informação prática, resumimos os pontos essenciais da garantia pública habitação jovem:
Antes de contratar, simule sempre diferentes cenários de taxas de esforço junto do banco. Financiar 100% do imóvel implica prestações mensais mais elevadas do que financiar 90%.
O debate sobre a garantia pública habitação jovem está longe de terminar. Por um lado, o Governo defende que a medida é segura e necessária. Aponta a escassez de oferta como a verdadeira causa da subida dos preços das casas. Por outro lado, o FMI e o Banco de Portugal continuam a alertar para os riscos do aumento da procura e para a deterioração do perfil de risco dos novos créditos.
Enquanto este equilíbrio não chega, os jovens que procuram a primeira casa devem informar-se junto dos bancos. Devem também analisar com cuidado as condições de cada proposta de crédito — não só o acesso facilitado que a garantia pública proporciona, mas também as taxas de esforço e as implicações financeiras a longo prazo.
A garantia pública é responsável pela subida dos preços das casas? O Governo rejeita essa ligação. Defende que o principal fator da valorização imobiliária é a escassez de oferta, não o acesso dos jovens ao crédito.
Que instituições manifestam reservas sobre a garantia pública? O Fundo Monetário Internacional e o Banco de Portugal alertam para o risco de aumento da procura por habitação e para o agravamento dos desequilíbrios no mercado imobiliário.
Até que idade podem os jovens beneficiar da garantia pública? Jovens até aos 35 anos podem recorrer à garantia pública para financiar 100% da compra da primeira habitação, sujeitos à avaliação de risco do banco e ao cumprimento dos restantes requisitos legais.
A garantia pública é um subsídio do Estado? Não. Não é dinheiro entregue ao comprador. É uma fiança: o Estado só assume responsabilidade financeira se o mutuário deixar de pagar o crédito.
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