Taxa fixa, variável ou mista: qual escolher no crédito habitação?

Taxa fixa, variável ou mista: qual escolher no crédito habitação?

Escolher entre taxa fixa, taxa variável ou taxa mista é uma das decisões com maior impacto num crédito habitação. A modalidade escolhida pode determinar o grau de previsibilidade da prestação, a exposição à evolução da Euribor e a forma como o custo do financiamento evolui ao longo dos anos.

Não existe uma modalidade que seja sempre mais vantajosa. A melhor escolha depende da capacidade financeira do agregado familiar, da estabilidade dos rendimentos, da tolerância ao risco, do prazo do financiamento e das condições concretas apresentadas pelo banco.

O próprio Banco de Portugal reconhece as três modalidades de taxa e explica que a escolha depende, entre outros fatores, das expectativas do cliente relativamente à evolução das taxas de juro e dos encargos que está disposto a assumir. turn1search0

Taxa fixa, taxa variável ou taxa mista: diferenças essenciais

Antes de comparar propostas, é importante perceber exatamente o que acontece com cada modalidade.

Modalidade Como funciona Previsibilidade Exposição à Euribor Principal vantagem Principal risco
Taxa fixa A taxa permanece fixa durante o período contratado Muito elevada Muito reduzida durante o período fixo Prestação previsível Pode começar com uma taxa superior
Taxa variável Indexante + spread, com revisões periódicas Mais reduzida Elevada Pode beneficiar de descidas da Euribor A prestação pode aumentar
Taxa mista Período inicial fixo seguido de período variável Elevada no início Posteriormente elevada Combina estabilidade e flexibilidade A prestação fica exposta à Euribor após o período fixo

No crédito à habitação, a taxa variável resulta normalmente da soma de um indexante, como a Euribor, com o spread definido no contrato. Na taxa fixa, a taxa permanece inalterada durante o período contratado. Na taxa mista, existe primeiro um período de taxa fixa e depois um período de taxa variável. turn1search8

Esta distinção é fundamental porque uma prestação inicial mais baixa não significa necessariamente que determinada solução terá um menor custo total ao longo de todo o empréstimo.

Taxa fixa: quando a previsibilidade pesa mais do que a flexibilidade

Na taxa fixa, a taxa de juro permanece igual durante o período definido no contrato. Consequentemente, a prestação associada ao empréstimo mantém-se estável nesse período, independentemente das alterações das taxas de juro do mercado.

Esta é a principal característica que distingue o crédito a taxa fixa das restantes modalidades: o cliente reduz significativamente a incerteza relativamente ao encargo mensal.

O Banco de Portugal explica que, num empréstimo com taxa fixa, o cliente não fica exposto ao risco de variação da taxa de juro durante o período fixado. É também normal que a taxa fixa seja inicialmente superior à taxa variável de um empréstimo comparável.

Vantagens da taxa fixa

A taxa fixa pode fazer sentido para quem dá prioridade à estabilidade financeira e quer maior previsibilidade no orçamento familiar.

Entre as principais vantagens estão:

  • prestação constante durante o período contratado;
  • maior previsibilidade do encargo mensal;
  • menor exposição às oscilações das taxas de juro;
  • maior facilidade na organização do orçamento familiar;
  • proteção perante uma subida da Euribor durante o período fixo.

Para uma família com pouca margem financeira, esta previsibilidade pode ter um valor significativo. Uma subida inesperada da prestação pode obrigar a reduzir outras despesas ou alterar planos financeiros. Com uma taxa fixa, esse risco de variação é substancialmente menor durante o período abrangido pelo contrato.

A taxa fixa também tem desvantagens

A previsibilidade não significa necessariamente menor custo do financiamento.

Uma das principais desvantagens é que a taxa fixa pode apresentar inicialmente um custo superior ao de uma solução variável comparável. Além disso, se as taxas de juro descerem, o cliente não beneficia dessa redução enquanto vigorar a taxa fixa.

Por outras palavras, quem escolhe juros fixos está a pagar também pela previsibilidade.

A questão relevante não é apenas saber se a taxa fixa é mais cara ou mais barata no início. É perceber quanto valor atribui o agregado familiar à estabilidade da prestação e qual a sua capacidade para suportar eventuais alterações futuras.

Taxa variável: Euribor, spread e risco de alteração da prestação

A taxa variável funciona de forma diferente. Neste modelo, a taxa de juro resulta normalmente da combinação entre o indexante e o spread.

A Euribor é um dos indexantes mais utilizados nos empréstimos à habitação na área do euro. Existem diferentes prazos de Euribor, incluindo 1, 3, 6 e 12 meses, entre outros.

De forma simplificada:

Taxa variável = Euribor + spread

O spread corresponde ao diferencial definido pela instituição de crédito. A Euribor, por sua vez, pode aumentar ou diminuir ao longo do tempo.

É precisamente esta combinação que faz com que a prestação variável possa sofrer alterações.

O que acontece quando a Euribor sobe?

Quando o indexante aumenta, a taxa de juro aplicável ao contrato pode aumentar na respetiva revisão. Consequentemente, o valor da prestação pode subir.

O impacto concreto depende de vários fatores, incluindo:

  • capital ainda em dívida;
  • prazo restante;
  • Euribor contratada;
  • spread;
  • periodicidade da revisão;
  • condições específicas do contrato.

Por isso, não é correto afirmar que determinada subida da Euribor provoca sempre exatamente o mesmo aumento na prestação de todos os mutuários.

E quando a Euribor desce?

O mecanismo funciona no sentido inverso.

Se o indexante descer, a componente variável da taxa pode diminuir e, consequentemente, a prestação poderá baixar na revisão seguinte.

É esta possibilidade que torna a taxa variável potencialmente interessante para quem aceita maior risco em troca da possibilidade de beneficiar de uma evolução favorável das taxas de juro.

O Banco de Portugal explica que, nos contratos de taxa variável, o valor do indexante utilizado resulta da metodologia prevista no contrato e que a revisão ocorre de acordo com a periodicidade do indexante contratado.

Taxa mista: estabilidade no início e exposição futura ao mercado

A taxa mista combina as duas modalidades.

Durante um período inicial, aplica-se uma taxa fixa inicial. Depois desse período, o contrato passa para uma taxa variável posterior, normalmente associada à Euribor.

Um exemplo simples seria um financiamento com 30 anos de prazo e cinco anos de taxa fixa, passando depois para taxa variável durante os restantes 25 anos. O exemplo é meramente ilustrativo: as condições concretas dependem da proposta e do contrato.

Porque pode ser interessante?

A principal vantagem da taxa mista está no equilíbrio entre previsibilidade e flexibilidade.

Durante o período fixo, o cliente sabe antecipadamente qual a taxa aplicável e reduz a exposição a subidas das taxas de juro.

Depois, quando começa a componente variável, passa a beneficiar ou a sofrer as consequências da evolução do indexante.

Esta solução pode ser particularmente interessante para quem pretende limitar o risco nos primeiros anos do financiamento imobiliário, mas não quer manter uma taxa fixa durante todo o prazo.

O ponto que muitas vezes é esquecido

A taxa mista não elimina o risco de taxa de juro. Apenas o adia durante o período fixo.

Quando termina essa fase, o cliente passa a estar exposto à evolução da Euribor e às restantes condições previstas no contrato.

Por isso, ao analisar uma proposta de taxa mista, não deve olhar apenas para a prestação dos primeiros anos. É essencial perceber qual será a fórmula da taxa depois do período fixo, qual o spread aplicável e em que condições ocorrerá a revisão.

Taxa fixa ou variável: qual compensa mais?

A resposta depende do cenário financeiro de cada comprador.

O Banco de Portugal salienta precisamente que só no final do empréstimo será possível saber qual das opções teria sido mais vantajosa no momento da contratação.

Isto acontece porque ninguém consegue conhecer com certeza a evolução futura das taxas de juro durante várias décadas.

Assim, a comparação deve ser feita com base no risco que cada família está preparada para assumir.

A taxa fixa pode fazer mais sentido se…

A taxa fixa pode ser considerada quando:

  • o orçamento familiar tem pouca margem;
  • existe forte preferência por previsibilidade;
  • uma subida da prestação poderia criar dificuldades;
  • o comprador valoriza estabilidade financeira;
  • existe pouca disponibilidade para acompanhar a evolução dos juros;
  • a previsibilidade é mais importante do que beneficiar de eventuais descidas da Euribor.

A taxa variável pode fazer mais sentido se…

A taxa variável pode ser considerada quando:

  • existe uma margem financeira confortável;
  • o agregado consegue suportar oscilações;
  • existe maior tolerância ao risco;
  • o comprador aceita que a prestação possa aumentar;
  • existe interesse em beneficiar de eventuais descidas do indexante.

Isto não significa que a taxa variável vá necessariamente resultar num custo total inferior. Significa apenas que o cliente aceita assumir o risco de mercado em troca da possibilidade de beneficiar de uma evolução favorável.

A taxa mista pode fazer mais sentido se…

A taxa mista pode ser analisada por quem pretende:

  • maior previsibilidade nos primeiros anos;
  • reduzir a exposição inicial às subidas das taxas;
  • manter posteriormente uma componente variável;
  • equilibrar estabilidade e flexibilidade;
  • evitar ficar sujeito a uma taxa fixa durante todo o prazo.

Como decidir de acordo com o perfil financeiro

A escolha da taxa deve começar pelo perfil financeiro e não pela publicidade a uma determinada prestação.

Uma forma prática de analisar a decisão é colocar três perguntas.

1. Conseguiria suportar uma subida significativa da prestação?

Se a resposta for não, o risco associado à taxa variável merece especial atenção.

Uma prestação que representa uma parcela elevada do rendimento mensal deixa menos margem para absorver alterações. Neste cenário, a previsibilidade de uma taxa fixa poderá ter maior importância.

2. Tem margem financeira para enfrentar períodos de juros mais elevados?

Se o agregado dispõe de poupanças, rendimentos estáveis e capacidade de absorver aumentos temporários, poderá ter maior tolerância ao risco.

Isso não significa que deva escolher automaticamente uma taxa variável. Significa apenas que a sua capacidade financeira permite considerar essa alternativa com maior segurança.

3. Durante quanto tempo pretende manter o empréstimo?

O horizonte temporal também importa.

Quem prevê manter o financiamento durante várias décadas está potencialmente exposto a múltiplos ciclos de taxas de juro. Por isso, uma decisão baseada apenas na situação atual pode ser insuficiente.

O objetivo deve ser escolher uma estrutura de financiamento que continue a ser suportável mesmo quando as condições económicas forem diferentes.

Taxa de esforço: o teste que deve ser feito antes da decisão

A taxa de esforço ajuda a perceber o peso dos encargos financeiros face aos rendimentos do agregado.

No entanto, para comparar taxa fixa, variável e mista, olhar apenas para a situação atual pode não ser suficiente.

É útil pensar em cenários:

Cenário Pergunta a colocar
Prestação atual O orçamento suporta confortavelmente o pagamento?
Juros mais elevados Conseguiria manter a prestação sem comprometer despesas essenciais?
Juros mais baixos Uma redução da prestação teria impacto relevante no orçamento?
Alteração dos rendimentos O crédito continuaria sustentável se o rendimento familiar diminuísse?
Despesas inesperadas Existe uma reserva financeira para situações imprevistas?

Esta abordagem transforma a decisão numa análise de capacidade de pagamento, em vez de uma simples comparação entre taxas anunciadas.

TAN, TAEG e MTIC: não confunda os três indicadores

Uma das maiores fontes de confusão na comparação de crédito habitação é olhar para a taxa de juro sem perceber exatamente o que cada indicador representa.

TAN: o custo dos juros

A TAN, ou Taxa Anual Nominal, representa o custo associado aos juros do empréstimo.

Num contrato de taxa variável, a TAN está relacionada com o indexante e o spread. Na taxa fixa, corresponde à taxa de juro definida para o período fixado.

A TAN é importante, mas não representa sozinha todos os custos do crédito.

TAEG: uma visão mais abrangente do custo

A TAEG, ou Taxa Anual de Encargos Efetiva Global, considera a TAN e outros encargos associados ao crédito.

O Banco de Portugal indica que a TAEG pode incluir juros, comissões, determinados impostos e despesas, seguros exigidos e outros encargos previstos no cálculo. Por isso, é um indicador particularmente útil para comparar propostas com o mesmo prazo e modalidade de reembolso.

Isto explica por que razão uma proposta com uma TAN aparentemente mais baixa pode não ser a mais barata quando são considerados os restantes encargos.

MTIC: quanto será pago no conjunto do financiamento

O MTIC, ou Montante Total Imputado ao Consumidor, permite perceber o montante global associado ao empréstimo, considerando o capital e os custos incluídos no cálculo.

De acordo com o Banco de Portugal, o MTIC corresponde à soma do montante do empréstimo com os respetivos custos, incluindo juros, comissões, impostos, seguros e outros encargos aplicáveis.

Por isso, o MTIC ajuda a responder a uma pergunta simples:

Quanto vou pagar no total se mantiver este crédito nas condições consideradas?

Porque é que a prestação inicial pode enganar?

Imagine duas propostas.

A primeira apresenta uma prestação inicial mais baixa, mas tem uma componente variável.

A segunda apresenta uma prestação inicial superior, mas oferece uma taxa fixa durante determinado período.

Se olhar apenas para o pagamento mensal, a primeira pode parecer imediatamente mais interessante.

No entanto, essa comparação não considera o que poderá acontecer à prestação quando as condições de mercado mudarem.

É precisamente por isso que a comparação deve incluir:

  • TAN;
  • TAEG;
  • MTIC;
  • spread;
  • indexante;
  • período de taxa fixa;
  • periodicidade da revisão;
  • seguros;
  • comissões;
  • outros encargos;
  • condições de amortização antecipada.

A FINE disponibilizada pelas instituições contém informação relevante para comparar estas condições, incluindo TAN, TAEG, MTIC, prestações e outros encargos associados ao financiamento.

O que deve procurar na FINE antes de escolher?

Antes de aceitar uma proposta de empréstimo habitação, a FINE deve ser analisada com atenção.

Não se limite à primeira página ou à taxa destacada comercialmente.

Confirme:

  1. Tipo de taxa: fixa, variável ou mista.
  2. TAN: qual a taxa efetivamente aplicada.
  3. Indexante: qual a Euribor utilizada, quando aplicável.
  4. Spread: qual o diferencial aplicado à taxa variável.
  5. Período fixo: no caso de taxa mista, quanto tempo dura.
  6. TAEG: qual o custo anual global indicado.
  7. MTIC: qual o montante total imputado.
  8. Prestação: qual o valor indicado e em que condições.
  9. Seguros: quais são exigidos e quais os respetivos custos.
  10. Comissões: que encargos são cobrados.
  11. Amortização antecipada: quais as condições aplicáveis.
  12. Produtos associados: que condições dependem da contratação de outros produtos.

No crédito à habitação, as instituições devem apresentar informação normalizada que permita ao cliente conhecer as principais características e custos do financiamento.

Três perfis de comprador e três formas de analisar a decisão

Em vez de procurar uma resposta universal para a pergunta “qual é a melhor taxa?”, é mais útil perceber como diferentes perfis podem encarar a mesma decisão.

Perfil 1: orçamento familiar muito controlado

Imagine um agregado que utiliza uma parte significativa do rendimento mensal para pagar a casa e tem pouca margem para despesas inesperadas.

Neste caso, uma subida relevante da prestação poderia criar dificuldades.

A previsibilidade de uma taxa fixa poderá ter um valor superior para este comprador, mesmo que a taxa inicial seja mais elevada.

A prioridade seria limitar a incerteza do encargo mensal.

Perfil 2: orçamento equilibrado e procura de compromisso

Considere agora uma família com rendimentos estáveis, alguma capacidade de poupança e vontade de reduzir o risco durante os primeiros anos.

Este perfil poderá analisar uma taxa mista.

O período fixo permite maior previsibilidade inicialmente. Depois, o agregado terá de estar preparado para a transição para a taxa variável.

Neste cenário, é especialmente importante conhecer antecipadamente as condições que serão aplicadas após o período fixo.

Perfil 3: maior margem financeira e tolerância ao risco

Por fim, considere um comprador com maior capacidade financeira, uma reserva de emergência e disponibilidade para suportar oscilações.

Este perfil poderá analisar uma taxa variável, aceitando que a prestação possa subir ou descer.

A eventual vantagem está na possibilidade de beneficiar de uma descida da Euribor. O contraponto é assumir diretamente o risco de subida.

Estes três cenários não constituem recomendações financeiras individuais. Servem para demonstrar como a mesma proposta pode ser avaliada de forma diferente consoante a capacidade financeira e a tolerância ao risco.

O que acontece quando a taxa mista passa a variável?

Este é um dos pontos mais importantes para quem está a comparar propostas.

Durante o período fixo, o cliente conhece a taxa aplicável segundo o contrato.

Quando essa fase termina, começa o período variável. A partir daí, o comportamento da prestação passa a depender das condições da taxa variável contratada.

É essencial verificar antecipadamente:

  • qual o indexante utilizado;
  • qual o spread;
  • qual a periodicidade da revisão;
  • como é determinado o valor do indexante;
  • quais os restantes encargos;
  • qual o impacto potencial de uma subida da Euribor.

O Banco de Portugal explica que, na taxa mista, existe um período fixo seguido de um período variável e que a revisão do indexante deve respeitar a periodicidade correspondente ao indexante contratado.

Euribor: porque não deve ser analisada isoladamente

A Euribor é importante, mas não é a taxa final de um contrato variável.

Se a proposta utilizar uma taxa variável, é necessário analisar a relação entre:

Euribor + spread = taxa de juro aplicável

O spread pode variar entre propostas e depende das condições definidas pela instituição de crédito.

Por isso, comparar dois créditos apenas pela Euribor pode conduzir a uma conclusão errada.

É necessário comparar o conjunto da proposta.

Além disso, a Euribor tem diferentes prazos. Um contrato indexado à Euribor a três meses não funciona exatamente da mesma forma que outro indexado à Euribor a seis ou doze meses, nomeadamente quanto à periodicidade de revisão. turn1search0

Os dados do mercado devem ser analisados com data

As taxas de juro não são estáticas.

Por isso, qualquer comparação baseada em valores concretos de Euribor, TAN, TAEG ou outras taxas deve indicar data de referência e fonte.

O Banco de Portugal disponibiliza estatísticas mensais sobre o crédito à habitação, incluindo a distribuição das novas operações por taxa fixa, variável ou mista, os indexantes utilizados e valores de prestação mensal.

Da mesma forma, o Banco Central Europeu disponibiliza dados sobre as taxas dos mercados financeiros e taxas Euribor através do seu portal de dados.

Esta distinção é importante porque um valor encontrado num artigo antigo pode já não representar as condições existentes no momento em que o leitor está a procurar financiamento.

O custo total deve ser analisado antes da prestação

Uma das decisões mais comuns é escolher a proposta com a menor mensalidade inicial.

Essa abordagem pode ser insuficiente.

O custo total depende de mais elementos do que a prestação.

Uma comparação adequada deve considerar:

  • juros totais;
  • TAN;
  • TAEG;
  • MTIC;
  • seguros;
  • comissões;
  • impostos e despesas aplicáveis;
  • spread;
  • prazo;
  • condições de amortização;
  • características da taxa fixa, variável ou mista.

Uma mensalidade mais baixa pode resultar de uma determinada estrutura de taxa ou de condições aplicáveis apenas a uma fase do contrato.

Por isso, antes de concluir que uma proposta é “mais barata”, é necessário perceber em que condições e durante quanto tempo.

Amortização antecipada também pode alterar a decisão

A possibilidade de fazer amortizações antecipadas deve ser considerada por quem prevê utilizar poupanças futuras para reduzir o capital em dívida.

Uma amortização pode diminuir o capital sobre o qual incidem juros, mas as condições concretas, custos e consequências dependem do contrato e da regulamentação aplicável.

Por isso, antes de contratar, verifique na documentação da instituição:

  • condições de reembolso antecipado;
  • eventuais comissões;
  • necessidade de aviso prévio;
  • impacto na prestação;
  • impacto no prazo;
  • possibilidade de escolher entre reduzir a prestação ou encurtar o prazo, quando aplicável.

Esta análise pode ser especialmente relevante para quem pretende fazer amortizações ao longo do prazo do financiamento.

Uma checklist para comparar propostas de crédito habitação

Antes de tomar uma decisão, utilize esta lista:

Taxa

  •  É fixa, variável ou mista?
  •  Qual é a TAN?
  •  No caso de taxa variável, qual é a Euribor?
  •  Qual é o spread?
  •  Na taxa mista, quanto dura o período fixo?

Prestação

  •  Qual é o valor da prestação inicial?
  •  Como pode evoluir a prestação?
  •  Qual é a periodicidade de revisão?
  •  Existe margem financeira para uma subida?

Custo

  •  Qual é a TAEG?
  •  Qual é o MTIC?
  •  Quanto serão os juros totais?
  •  Quais são as comissões?
  •  Quais são os custos dos seguros?
  •  Existem outros encargos?

Flexibilidade

  •  Quais são as condições de amortização antecipada?
  •  Existem produtos associados?
  •  O que acontece quando termina o período fixo?
  •  Quais são as condições da componente variável?

Sustentabilidade financeira

  •  Qual é a taxa de esforço?
  •  Existe uma reserva financeira?
  •  O rendimento familiar permitiria suportar uma prestação superior?
  •  O crédito continuaria sustentável perante uma alteração dos rendimentos?

Então, qual é a melhor taxa para o crédito habitação?

A resposta deve ser encontrada através do equilíbrio entre custo, previsibilidade e risco.

Se a prioridade é… Pode fazer sentido analisar…
Máxima previsibilidade Taxa fixa
Beneficiar de eventuais descidas da Euribor Taxa variável
Combinar estabilidade inicial e exposição futura ao mercado Taxa mista
Ter menor risco de alteração da prestação Taxa fixa
Aceitar oscilações em troca de potencial benefício Taxa variável
Adiar a exposição à taxa variável Taxa mista

Esta tabela não deve ser interpretada como uma recomendação individual. A modalidade adequada depende das condições concretas do contrato e da situação financeira de cada comprador.

O próprio Banco de Portugal indica que não existe uma modalidade universalmente mais vantajosa e que a escolha deve considerar os encargos que o cliente pretende assumir e as suas expectativas relativamente às taxas de juro.

Informação importante antes de contratar

As condições de um crédito habitação variam entre instituições financeiras e podem depender do perfil do cliente, do imóvel, do montante financiado, do prazo e dos produtos associados.

Uma simulação é uma ferramenta de comparação e não deve ser confundida com uma garantia de aprovação ou com uma proposta contratual definitiva.

Além disso, uma previsão sobre a evolução da Euribor é sempre uma previsão. Não deve ser utilizada isoladamente para justificar uma decisão de financiamento de longo prazo.

Num compromisso que pode durar várias décadas, é mais prudente avaliar se o orçamento familiar consegue suportar diferentes cenários do que tentar antecipar exatamente o comportamento futuro das taxas.

Perguntas frequentes sobre taxa fixa, variável ou mista

Qual é a taxa mais segura para um crédito habitação?

A taxa fixa oferece maior previsibilidade da prestação durante o período em que a taxa permanece fixa, porque o cliente fica menos exposto às oscilações das taxas de juro. Em contrapartida, pode apresentar uma taxa inicial superior e não permite beneficiar de eventuais descidas da Euribor durante esse período.

É melhor escolher taxa fixa ou variável?

Depende do equilíbrio que cada comprador procura entre previsibilidade e risco. A taxa fixa reduz a exposição às alterações das taxas de juro, enquanto a taxa variável permite beneficiar de eventuais descidas da Euribor, mas também pode resultar numa prestação superior quando o indexante sobe.

A comparação deve considerar TAN, TAEG, MTIC, spread, prazo, valor da prestação e capacidade financeira do agregado.

A taxa mista pode ser uma boa opção?

Pode ser considerada por quem procura uma solução híbrida: um período inicial de taxa fixa seguido de uma componente variável. A principal questão é perceber se o agregado conseguirá suportar a eventual alteração da prestação quando terminar o período fixo.

Por isso, antes de escolher uma taxa mista, deve ser analisada não apenas a mensalidade inicial, mas também a taxa, o spread, o indexante e as condições que serão aplicadas durante a fase variável.

Fontes oficiais e referências

Para consultar informação atualizada e verificar os conceitos utilizados neste artigo, devem ser privilegiadas fontes institucionais:

  • urlBanco de Portugal — Taxas de juro no crédito à habitaçãoturn1search0
  • urlBanco de Portugal — Perguntas frequentes sobre crédito à habitaçãoturn1search3
  • urlBanco de Portugal — FINE e informação sobre crédito à habitaçãoturn1search4
  • urlBanco de Portugal — Estatísticas de crédito à habitaçãoturn1search7
  • urlBanco de Portugal — Euribor, TAN e TAEGturn1search8
  • urlBanco Central Europeu — Dados sobre mercados financeiros e taxas de juroturn1search10

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise da FINE, das condições contratuais ou o aconselhamento de um profissional devidamente habilitado. As condições de financiamento variam entre instituições e de acordo com o perfil de cada cliente. As informações sobre taxas e mercado devem ser verificadas narespetiva fonte e data de referência antes de qualquer decisão.

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